- 1 de abr. de 2019
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As agriculturas nas regiões metropolitanas é um campo de estudo carente de investigações capazes de detalhar as complexidades que envolvem suas dinâmicas territoriais.

Visita as experiências em Capim Branco. Fonte: AUÊ!,2018
Na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) nos deparamos com essa problemática, e a fim de compreender melhor a realidade local e os desafios que envolvem as práticas e sujeitos, o AUÊ vem buscando, desde 2013 mapear e caracterizar as agriculturas nos municípios da RMBH.
Dando sequência às nossas ações, realizamos no final de 2018 idas a campo nos municípios de Capim Branco e Nova União. As atividades fizeram parte do projeto financiado pela FAPEMIG: Agricultura Urbana e Planejamento Metropolitano: Uma contribuição à construção da Trama Verde e Azul na RMBH” (02380/2016) e tiveram apoio da equipe técnica da EMATER (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado Minas Gerais), além disso, contou a colaboração dos pesquisadores do projeto também financiado pela FAPEMIG: “Direito à Cidade e Comida de Verdade: Agroecologia como parte de uma estratégia territorial para conectar espaços rurais e urbanos na construção da Trama Verde e Azul na RMBH” (AUC-00057/2016) .

Roda de Conversa com os/as agricultores/as de Capim Branco. Fonte: AUÊ!,2018
Como metodologia de trabalho realizamos uma roda de conversa com as/os agricultoras/es de cada município, no intuito de criar um espaço de reflexão sobre os desafios enfrentados na agricultura local, em sequência fizemos visitas de campo com questionários em algumas unidades produtivas, o que nos possibilitou visualizar com mais profundidade as dinâmicas locais. A seguir, compartilhamos um breve relato da experiência em cada município.
Capim Branco
Em Capim Branco, município que se destaca na produção orgânica, a roda de conversa aconteceu na sede da EMATER e contou com a presença de agricultoras e agricultores. Esse atores contribuem na preservação do meio ambiente e na promoção da saúde com o cultivo de alimentos sem o uso de agrotóxicos e fertilizantes químicos.
Durante a conversa os/as agricultores/as pontuaram como desafios: a dificuldades de acessar mercados e comercializar a produção; as burocracias e dificuldades de se produzir dentro da zona urbana; a falta de incentivo; e a falta de diálogo entre os/as agricultores/as locais. Além disso, o grupo demonstrou interesse em saber mais sobre o Sistema Participativo de Garantia que está sendo construído em Belo Horizonte e por isso foi aprofundado a discussão em torno do assunto.

Relatorias Gráficas da Roda de Conversa com os/as agricultores/as de Capim Branco. Fonte: AUÊ!,2018
Dando continuidade às ações do projeto, as pesquisadoras, com o apoio da EMATER, visitaram sete experiências produtivas no município. Ao final das atividades de campo no município foi possível identificar alguns desafios enfrentados pelas/os agricultoras/es, como o processo de transição da produção convencional para produção orgânica, o controle de insetos e fungos nas plantações sem o uso de agrotóxicos, os preços do mercado, e a dificuldade de escoamento da produção.
Nova União
Em Nova União, município que se destaca pela produção de banana, a roda de conversa aconteceu no Salão da Câmara e contou não só com a presença de agricultores/as mas também técnicos que trabalham com agricultura no município. No encontro foi elaborada uma pergunta para orientar a discussão “Quais os desafios que as agricultoras e os agricultores enfrentam atualmente no município?” e como resultado falou-se da falta de conscientização ambiental, e da escassez de água local.

Relatoria Gráfica da Roda de Conversa em Nova União. Fonte: AUÊ!,2018
Em seguida foram realizadas visitas de campo a 07 experiências onde foi possível identificar alguns desafios enfrentados pelas/os agricultoras/es, dentre eles: a falta de diversidade de produção, o que implica em riscos de mercado caso tenha alguma praga ou perda de produção, como já ocorrido no passado; e o uso de agrotóxicos e fertilizantes químicos nas plantações de banana mesmo que em pequena quantidade, por ser uma especificidade da produção.

Visita as experiências em Nova União. Fonte: AUÊ!,2018
Além disso, foi possível conhecer iniciativas voltadas para piscicultura (produção de Tilápia) associada com a produção de hortaliças, e produções agroecológicas no assentamento do MST com grande diversidade de produtos.